Cinco
séculos antes de Cristo, Heródoto escreveu Histórias, tentando compreender a
inimizade e a guerra entre gregos e persas. Desde então, muitos estudiosos se
dedicaram a estudar temas militares, para compreender a constituição,
funcionamento e repercussões sociais das organizações bélicas. No estudo da
História Militar, as guerras receberam compreensível atenção, pois elas fazem
parte da maior parte das grandes
mudanças humanas e possuem grandeza trágica. Ademais, constatou Raymond Aron,
em “Paz e guerra entre as nações”, embora a paz “é o objetivo razoável de todas
as sociedades”, elas recorrem muitas
vezes ao uso da violência quando, na paz, a ação diplomática é insuficiente para
atingir os objetivos desejados. Portanto, estudar a guerra significa também
estudar porque a paz fracassa e como coletividades e indivíduos estão dispostos
a matar seus semelhantes. Significa compreender a dinâmica das instituições
militares, quer em suas especificidades, quer em sua relação com o entorno
social e o contexto nacional e internacional em que estão inseridas.
O Grupo Brasiliense de Estudo da História
Militar (GBEHM) tem como objetivo
estudar o uso da força nas relações entre grupos sociais diferentes na
História. Seus temas de estudo são variados: as causas das guerras; seu
desenrolar no campo de batalha; as tecnologias usadas; as formas de
organização; a lógica do guerreiro; as dimensões econômicas, políticas e
psicológicas que desencadeiam, sustentam a guerra ou que coloquem em xeque seu desenvolvimento;
as repercussões sociais após terminado o conflito, etc. O GBEHM se orienta pela
reflexão de Gaston Bouthoul, no livro
Traité de polémologie” ( Paris: Payot, 1991, p. 4 ), de que chegou o
momento de se substituir a afirmação clássica “se você quer a paz prepare-se para a guerra”
por “se você quer a paz, estude a
guerra”.
O
grupo pretende articular o trabalho de docentes do departamento de História da
Universidade de Brasília que pesquisam a temática militar. A pluralidade de
objetos e perspectivas dos membros do GBEHM possibilitará rico debate, o que
será intensificado pela promoção de encontros acadêmicos e a participação de
membros de fora dos quadros da UnB.